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Obadias

Sobre

Obadias
4:59
Panoramas do Antigo Testamento
Obadias

Um aspecto importante da antiga organização da Bíblia hebraica chamada TaNaK é que as doze obras proféticas que vão de Oseias a Malaquias, às vezes chamadas de Profetas Menores, foram elaboradas como um único livro chamado Os Doze. Obadias é o quarto livro dos Doze.

Obadias é o livro mais curto do Antigo Testamento, com apenas 21 versículos, e, à primeira vista, não parece muito promissor. Trata-se de uma série de poemas do juízo divino contra o antigo povo de Edom, uma nação vizinha de Israel do outro lado do Mar Morto. Porém, este pequeno livro contém bem mais do que pode parecer à primeira vista.

Vamos começar com o contexto da história. O povo de Edom era especial porque compartilhava uma ascendência comum com os israelitas, ambos pertenciam à família de Abraão. Isaque, filho de Abraão, e sua esposa, Rebeca, tiveram dois filhos chamados Esaú e Jacó. Gênesis 25-27 conta a história desses irmãos, cujo relacionamento foi marcado por tensão e conflito. Mais tarde, os irmãos receberam os nomes de "Israel" e "Edom", que acabaram se tornando os nomes de seus descendentes. E, assim como seus ancestrais, essas nações repetiram o mesmo padrão de conflito e rivalidade. Israel e Edom tiveram grandes conflitos ao longo dos séculos (Nm 20:14-20), apesar de seus antigos laços familiares.

No entanto, esses laços familiares foram quebrados durante a trágica queda de Jerusalém diante da Babilônia (2Rs 25). Quando Israel foi invadido e conquistado, o povo de Edom aparentemente aproveitou a situação para saquear cidades israelitas, capturar e até matar os prisioneiros (Sl 137:7; Lm 4:22; Ez 35; Am 1:6-9). Em outros livros proféticos, os povos vizinhos de Israel são responsabilizados por atos semelhantes de violência. Aqui, Obadias faz o mesmo com Edom.

Obadias 1:1-14: contra os líderes de Edom

O livro de Obadias é composto por duas partes. A primeira parte é constituída de uma série de acusações contra os líderes de Edom por causa de seu orgulho e autoexaltação. Eles dizem para si mesmos: "Vivemos nas alturas, confortáveis entre as estrelas. Quem pode nos derrubar?" (Ob 1:3-4) É esse orgulho que levou os edomitas não apenas a ficarem de braços cruzados quando a Babilônia veio destruir Jerusalém, mas também a participarem ativamente da destruição. Assim, Deus diz por meio de Obadias que Edom será derrubada de suas alturas e destruída. "O que eles fizeram a Israel, assim será feito a eles" (Ob 1:15).

Obadias 1:15: o Dia do Senhor para todas as nações

Quando parece que veremos o juízo de Edom, o tema muda de repente. No versículo 15, ouvimos que "o Dia do Senhor está próximo, contra todas as nações". Por que esta mudança repentina de foco de Edom para todas as nações?

Este versículo age como uma peça fundamental, ligando a primeira parte do livro à segunda, na qual Obadias anuncia o Dia do Senhor não apenas para Edom, mas para todas as nações. Obadias diz que todas as nações que agem como Edom enfrentarão a justiça de Deus, e elas também cairão de suas alturas orgulhosas e serão destruídas.

A combinação dessas duas seções nos mostra por que Obadias está tão interessado neste pequeno vizinho ao sul de Israel. Ele vê o orgulho e a queda de Edom como um exemplo ou imagem de como Deus um dia confrontará o orgulho entre todas as nações e trará sua queda. Não é coincidência que, em hebraico, a palavra Edom seja escrita com as mesmas três letras (םדא) da palavra humanidade (adam). Embora sejam palavras diferentes, o jogo de palavras mostra que, para Obadias, o comportamento de Edom é típico de todas as nações e merece enfrentar a justiça.

Obadias 1:16-21: esperança de restauração do reino de Deus

Assim como em todos os livros proféticos, o juízo de Deus nunca é sua palavra final. Veja, por exemplo, as conclusões dos dois livros anteriores, Joel e Amós. Joel havia ilustrado o que acontece depois do Dia do Senhor contra todas as nações. Ele disse que Deus realizaria um novo ato de salvação em Jerusalém, que todos os que se humilhassem e o invocassem seriam libertos (Jl 2:32; Jl 3:17). Amós disse que, depois que o Dia do Senhor tivesse julgado o mal de Israel, Deus levantaria a casa de Davi e construiria um novo reino para Israel, que incluiria "Edom e todas as nações que levam meu nome" (Am 9:12). O livro de Obadias foi colocado logo após Joel e Amós para expandir essas mesmas promessas sobre a esperança do reino de Deus sobre todas as nações. Deus restaurará seu reino sobre a nova Jerusalém e vai repovoá-la com um remanescente fiel. A partir daí, o reino de Deus se expandirá para incluir todo o território e as nações ao redor de Israel.

O pequeno livro de Obadias contribui para o quadro maior da justiça e da fidelidade de Deus que encontramos nos profetas. O antigo orgulho e a traição de Edom tornam-se um retrato da condição humana e da forma como as pessoas traem umas às outras e corrompem o bom mundo criado por Deus. Mas ainda há esperança, pois a queda de Edom aponta para o dia em que Deus confrontará o mal em nosso mundo e reunirá todas as nações em seu reino de paz.

É disso que se trata o livro de Obadias.