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Gênesis

Sobre

Gênesis 1-11
7:43
Panoramas do Antigo Testamento
Gênesis 1-11

O livro de Gênesis é o primeiro livro da Bíblia. Ele é dividido em duas partes principais: os capítulos 1-11 contam a história de Deus e do mundo todo, e os capítulos 12-50 se concentram na história de Deus, um homem e sua família. Essas duas partes são conectadas por uma espécie de narrativa central no início do capítulo 12. Esta estrutura literária nos indica como entender a mensagem do livro como um todo, bem como toda a história da Bíblia se une.

Gênesis 1-3: a Criação, o jardim do Éden e a rebelião da humanidade

O livro de Gênesis inicia mostrando Deus transformando desordem e trevas em ordem, beleza e bondade. Ele cria um mundo onde a vida pode florescer, e também coloca criaturas para habitar esse mundo.

Deus cria os seres humanos, o adam em hebraico, à "sua imagem", um conceito que tem a ver com o papel deles no mundo de Deus. Eles são feitos para refletir o caráter de Deus no mundo e são designados como representantes para governar o bom mundo de Deus em seu nome. Eles devem aproveitar o potencial deste mundo, cuidar dele e torná-lo um lugar onde podem se multiplicar e florescer. Deus abençoa os seres humanos, um tema central deste livro, e lhes dá um jardim de onde podem começar a tarefa de cultivar e ordenar o mundo.

É importante notar que esses seres humanos têm a escolha de como irão construir esse mundo, representada de forma clara na árvore do conhecimento do bem e do mal. Até agora, Deus forneceu e definiu para eles o que é bom e o que não é bom, mas, neste ponto, Deus lhes dá a liberdade e a dignidade para escolher. Eles confiarão na definição de bem e mal dada por Deus ou buscarão autonomia e definirão por si mesmos o que é bom e mau? Há muita coisa em jogo aqui. Rebelar-se contra Deus é aceitar a morte, afastando-se da árvore da vida, o que representa o dom da própria vida.

De repente, uma figura misteriosa, uma serpente, entra na história. Não há nenhuma apresentação prévia, apenas a indicação de que é uma criatura de Deus. Fica claro, no entanto, que a serpente está em rebelião contra Deus e também quer levar os seres humanos à rebelião, para que morram. A serpente conta uma história diferente sobre esta árvore do conhecimento e a escolha que representa. Adquirir o conhecimento do bem e do mal não resultará em morte. Pelo contrário, na verdade é o caminho para a vida e para se tornar como o próprio Deus.

A ironia trágica é que os seres humanos já são como Deus, pois refletem a sua imagem. Mas, em vez de confiar em Deus, eles buscam autonomia e tomam para si o conhecimento do bem e do mal. De repente, toda a história começa a desmoronar.

A primeira tragédia que acontece são nos relacionamentos humanos. O homem e a mulher de repente percebem como são vulneráveis agora; será que podem confiar um no outro? Eles fazem roupas para esconder seus corpos. A segunda tragédia é que a intimidade original entre Deus e os humanos é perdida. Os humanos correm, se escondem de Deus e iniciam um jogo de transferência de culpa sobre quem se rebelou contra ele primeiro. Neste ponto, a narrativa assume a forma de uma série de breves poemas, nos quais Deus declara à serpente e aos humanos as trágicas consequências de suas ações.

Primeiro, Deus anuncia que, apesar da aparente vitória da serpente, ela está destinada à derrota e é amaldiçoada a comer o pó da terra. Deus promete que um dia uma "semente" ou descendente virá da mulher e realizará um ataque letal à cabeça da serpente. Embora isso pareça ser uma boa notícia, essa vitória terá um custo. Enquanto sua cabeça é esmagada, a serpente desferirá seu próprio golpe mortal no calcanhar do descendente.

Esta promessa misteriosa de um vencedor ferido é um ato da graça de Deus. Embora os humanos tenham se rebelado, Deus promete resgatá-los, mas isso não apaga as consequências de sua escolha. Deus os informa que todos os aspectos de sua vida juntos, em casa e no campo, serão cheios de tristeza e dor como consequência de sua rebelião, o que, em última análise, levará à morte.

Gênesis 3-11: a corrupção da humanidade e o juízo do Dilúvio

Mais uma vez, a história segue em declínio. Os capítulos 3-11 traçam o efeito dominó da rebelião e a fragmentação das relações humanas em todos os níveis.

A próxima história, centrada nos irmãos Caim e Abel, revela mais uma vez essa fragmentação nas relações humanas. Caim tem tanto ciúme de seu irmão que quer matá-lo. Apesar do aviso de Deus, Caim mata Abel. Depois do assassinato, Caim vai construir uma cidade dominada pela violência e pela opressão. Isso fica evidente na história de Lameque, o primeiro homem na Bíblia a ter mais de uma esposa, acumulando-as como se fossem propriedades. Lameque também canta uma canção sobre como ele é mais violento e vingativo do que Caim.

Em seguida, vem uma história estranha sobre os "filhos de Deus". Existem pontos de vista diferentes sobre quem eles são. A história pode estar se referindo a seres angelicais malignos, ou pode ser que sejam reis antigos que alegavam descender dos deuses. Assim como Lameque, eles tomaram para si quantas esposas desejaram e geraram os nefilins, grandes guerreiros da antiguidade. Qualquer que seja a interpretação correta, essas pessoas construíram mais reinos com violência e corrupção cada vez maiores no mundo de Deus.

O texto nos diz que Deus fica profundamente entristecido, pois a humanidade está destruindo seu mundo bom e prejudicando uns aos outros. Movido pelo desejo de proteger a bondade de sua Criação, ele limpa o mundo do mal da humanidade com um grande dilúvio. No entanto, Deus preserva Noé, o único homem íntegro, junto com sua família. Deus encarrega Noé de ser um novo Adão, repetindo a bênção e a comissão divinas. Nossas esperanças são grandes, mas logo Noé também falha, e novamente em um jardim! Ele planta uma vinha, fica bêbado e, em seguida, um de seus filhos, Cam, faz algo vergonhoso a ele. Nosso novo Adão também acaba nu e envergonhado. O declínio continua.

Tudo isso leva à fundação da Babilônia. Aqui, o povo da Mesopotâmia antiga se reúne em torno de sua nova tecnologia, o tijolo. Eles podem construir cidades e torres maiores de maneira mais rápida do que antes, mas querem ir além e erguer um novo tipo de torre que alcance os céus. Eles serão os responsáveis por reunir o céu e a terra e fazer um nome para si mesmos. Esta torre é o epítome da rebelião e arrogância humanas, a tragédia do jardim ampliada. Assim, Deus humilha o orgulho deles e os dispersa pelo mundo.

Agora, Gênesis 3-11 é um conjunto diversificado de histórias, mas todas exploram o mesmo ponto fundamental, ou seja, Deus continua dando aos humanos a chance de agir corretamente com o seu mundo, e eles continuam a destruí-lo. Essas histórias afirmam que vivemos em um mundo bom que se tornou mal. Todos nós escolhemos definir o bem e o mal para nós mesmos e contribuímos para um mundo de relacionamentos falhos, conflito, violência e, em última análise, de morte.

Mas ainda há esperança. Deus prometeu que um dia viria um descendente, o vencedor ferido que derrotará o mal em sua fonte. Apesar do mal da humanidade, Deus está determinado a abençoar e resgatar seu mundo. A grande pergunta é: o que Deus vai fazer?

Gênesis 12:1-3: Deus abençoa Abraão

Gênesis 12-50
8:08
Panoramas do Antigo Testamento
Gênesis 12-50

Depois do fiasco na Babilônia, o autor colocou uma história fundamental que liga as duas partes do livro de Gênesis. O autor traça a genealogia de uma família depois da dispersão das pessoas da Babilônia e leva a um homem chamado Abrão, mais tarde conhecido como Abraão. A promessa de Deus a Abraão, no início do capítulo 12, dá início a uma nova fase da narrativa, marcada por promessa e bênção.

Deus chama Abraão para deixar sua casa e ir para a terra de Canaã, que Deus diz que um dia será sua. Nessa terra, Deus promete fazer de Abraão uma grande nação, tornar seu nome grande e abençoá-lo. Essas promessas refletem sobre as partes anteriores do livro. A Babilônia tentou arrogantemente fazer para si um "grande nome", mas acabou sendo dispersa pela terra. Deus, em sua generosidade, no entanto, concederá um "grande nome" a este homem Abraão. A bênção de Deus a Abraão também remete à bênção original que Deus deu a toda a criação e à humanidade. Agora, a grande pergunta é: por que Deus abençoará este homem e sua família? A última frase da promessa de Deus é clara: "Assim, todas as famílias da terra serão abençoadas por meio de você" (Gn 12:3).

Este é um momento importante para a compreensão do restante da história bíblica. O plano de Deus é resgatar e abençoar seu mundo rebelde através da família de Abraão, que eventualmente será chamada de Israel. Mais tarde, Israel será chamado de um "reino de sacerdotes" no Monte Sinai (Êx 19:4-6) para mostrar a todas as nações como Deus é. Em última análise, essa promessa é retomada pelos profetas e poetas bíblicos, que afirmam que seu cumprimento virá por meio do rei messiânico de Israel, cujo reinado trará justiça e bênção a todas as nações (Is 11; Sl 72).

Nada disso, porém, está claro neste ponto da história. Só temos que continuar lendo e assistindo como a promessa se desenrola. O restante do livro se concentra em Abraão e sua família — primeiro o próprio Abraão, depois seu filho Isaque, o filho de Isaque, Jacó, e então os doze filhos de Jacó. As histórias sobre a família de Abraão são unidas por dois temas principais. Cada geração é marcada pelo contínuo fracasso moral. Eles tomam decisões ruins que atrapalham suas vidas e colocam a promessa de Deus em perigo. No entanto, Deus permanece fiel a eles. Apesar de seus fracassos, ele os resgata de si mesmos e continua reafirmando seu compromisso de abençoá-los e abençoar as nações por meio deles.

Começamos com o foco em Abraão. Embora Deus lhe tivesse prometido uma família numerosa, em duas situações ele teme pela própria vida, pois outros homens são atraídos por sua esposa. A solução que ele tem é negar que ele é casado com ela, o que, obviamente, só causa mais problemas. Além disso, Abraão e sua esposa Sara não conseguem ter filhos, então Sara providencia que Abraão durma com uma de suas servas, criando ainda mais problemas.

Gênesis 13-50: a aliança com Abraão, a família de Jacó, José no Egito

No entanto, Deus livra Abraão sempre que surge um problema, e nos capítulos 15 e 17 Deus chega a formalizar sua promessa por meio de um compromisso oficial chamado aliança. Em uma cena famosa, Deus pede a Abraão que olhe para as estrelas e tente contá-las, mostrando que sua família será tão numerosa quanto elas. Vale lembrar que ele ainda não tem filhos e que ele e Sara não conseguem gerar filhos. Mesmo diante de chances tão desfavoráveis, Abraão ergue os olhos e deposita sua confiança na promessa de Deus. Deus responde com graça ao estabelecer uma aliança com ele, prometendo que Abraão se tornará pai de muitas nações, para que a bênção de Deus alcance todo o mundo. Ele pede a Abraão que marque sua família com o "sinal da aliança", ou a circuncisão de todos os homens, como um símbolo para lembrá-los de que sua frutificação vem de Deus. Abraão, de fato, passou a ter muitos filhos e viveu até os 175 anos (Gn 25:7).

As histórias de Jacó se desenvolvem de maneira ainda mais drástica. Desde o seu nascimento, Jacó encarna o significado de seu nome, que é “enganador”. Jacó trapaceia seu irmão Esaú, tomando a herança e a bênção dele ao enganar o pai idoso e cego, e depois simplesmente vai embora. Jacó passa a ter quatro esposas, mesmo que realmente ame apenas Raquel, criando diversas rivalidades dentro da família. A única coisa que o humilha é ser enganado por seu tio Labão, que o engana por muitos anos de sua vida. Depois de toda essa humilhação, Jacó volta à sua terra natal. E em uma história estranha, Jacó acaba lutando com Deus. Ele exige que a bênção de Deus venha a ele (algumas coisas nunca mudam). Surpreendentemente, Deus honra a determinação de Jacó, transferindo-lhe a bênção de Abraão e chamando-o de Israel, cujo significado é "aquele que luta com Deus".

Na última parte, a história dos filhos de Jacó reúne os temas centrais de todo o livro de Gênesis. Jacó ama seu segundo filho mais novo, José, mais do que os outros e lhe dá um tratamento especial, bem como um casaco colorido. Os dez filhos mais velhos começam a odiar seu irmão José, então o sequestram e planejam matá-lo. No entanto, eles decidem vendê-lo como escravo no Egito no último instante. Isso sim é uma família disfuncional!

Mas Deus está com José, e ele orquestra não apenas sua libertação da prisão, mas também sua ascensão ao poder. O faraó descobre José e o coloca como segundo comandante de todo o Egito. Então, durante um período de fome, José salva todo o Egito e também seus irmãos que o traíram. Mais uma vez, os erros e pecados da família de Abraão encontram a fidelidade de Deus, que consegue transformar até o mal praticado pelos irmãos em ocasião de salvação. Na verdade, é isso que José diz próximo do final do livro: "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos." (Gn 50:20).

Agora, essas palavras são colocadas aqui no final de maneira muito estratégica porque resumem não apenas a história de José e seus irmãos, mas também todo o livro. De Gênesis 3 em diante, os humanos continuam agindo de maneira egoísta e fazendo o mal, mas esse Deus não vai abandonar o seu mundo e deixá-lo ser gerido por conta própria. Ele permanece fiel e determinado a abençoar as pessoas, apesar das falhas delas.

Podemos ver isso especialmente na maneira como a promessa misteriosa do descendente que esmaga as serpentes é desenvolvida ao longo do livro. Deus prometeu que este vencedor ferido destruiria a serpente e derrotaria o mal em sua fonte (lembre-se de Gn 3:15). Através das genealogias que percorrem o livro, o autor conecta esta promessa à linhagem de Abraão. Essa derrota do mal faz parte da maneira como Deus trará sua bênção às nações. De Abraão, esta promessa está conectada a Judá, o quarto filho de Jacó. Em um poema extremamente importante no capítulo 49, Jacó idoso, em seu leito de morte, está abençoando seus doze filhos. Quando ele chega a Judá, ele prevê que Judá se tornará uma tribo dos líderes reais de Israel e que um dia virá um rei que comandará a obediência das nações e cumprirá a promessa de Deus de restaurar a bênção do jardim a todo o mundo.

Depois disso, Jacó morre e, em seguida, José. A família no Egito continua a crescer e o livro de Gênesis se encerra com todas essas promessas futuras em suspenso. Somos forçados a virar a página e ler mais para ver o desfecho de tudo.

Perguntas frequentes

Confira algumas das perguntas mais comuns feitas na internet sobre este livro bíblico.