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Colossenses

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Colossenses
9:17
Panoramas do Novo Testamento
Colossenses

Esta carta foi escrita durante uma das muitas prisões de Paulo por anunciar Jesus como rei. Ao contrário de suas outras cartas, esta é endereçada a um grupo de pessoas que ele nunca conheceu e a uma comunidade que ele não iniciou. A igreja em Colossos foi fundada por um colaborador de Paulo chamado Epafras, que era de Colossos (Cl 1:7-8; 4:12-13). Epafras havia visitado Paulo na prisão recentemente e lhe havia informado sobre a situação geral dos colossenses. No entanto, Epafras também mencionou algumas das pressões culturais que os tentavam a se afastar de Jesus. Paulo escreveu esta carta para encorajar os colossenses, abordar as questões levantadas por Epafras e desafiá-los a uma maior devoção a Jesus.

A estrutura e o fluxo de pensamento da carta são relativamente fáceis de acompanhar. O início da carta destaca Jesus como o Messias exaltado, e em seguida Paulo descreve seu sofrimento na prisão por causa do Messias. Logo depois, Paulo trata das pressões que estavam tentando levá-los a se afastar de Jesus. Nos capítulos 3-4, Paulo explora o novo modo de vida que a ressurreição de Jesus abriu para eles.

Colossenses 1:1-23: Jesus como rei de toda a Criação

A carta começa com duas orações. Paulo primeiro agradece a Deus pelo que aprendeu com Epafras, isto é, que os colossenses foram totalmente fiéis a Jesus e mostraram amor a Deus e ao próximo. Ele continua orando para que eles cresçam em sabedoria e entendimento sobre Jesus. Paulo incluiu um poema aqui para ajudar os colossenses, e também a nós, a fazer exatamente isso (Cl 1:15-20). Esse poema é o centro do capítulo 1 e fala sobre o Messias que foi crucificado e exaltado.

O poema contém duas estrofes paralelas repletas de linguagem e imagens dos livros de Gênesis, Êxodo, Salmos e Provérbios. A primeira estrofe explora como Jesus é a verdadeira imagem de Deus. Nele, todo o caráter e todo o propósito de Deus estão incorporados em um ser humano. Jesus é o "primogênito", uma expressão do Antigo Testamento que aponta para sua autoridade de rei sobre toda a Criação. Nisso, ele compartilha a própria identidade do único e verdadeiro Deus Criador. Por meio dele, toda a realidade, todos os poderes e autoridades, tanto espirituais quanto humanos, foram criados.

É em Jesus, o Messias, que descobrimos o autor e o rei da Criação, bem como aquele que trará a nova Criação. Ele é a cabeça de um novo corpo, que se refere ao povo de Jesus, a nova humanidade da qual sua existência ressurreta é um protótipo. A presença gloriosa do templo de Deus habita em Jesus. E Deus se reconciliou com a humanidade, com todos os poderes espirituais e com toda a Criação por meio da morte e da ressurreição de Jesus. É um poema incrível, e Paulo continuará se referindo a ele à medida que prossegue com a carta.

Colossenses 1:24-2:5: o sofrimento de Paulo

Paulo então mostra como a verdade deste poema transforma sua própria experiência de sofrimento na prisão (Cl 1:24-2:5). Embora ele esteja sendo punido por anunciar Jesus como o Senhor e rei ressurreto ao mundo grego e romano, seu sofrimento não é uma derrota. Na verdade, é a maneira de Paulo participar do próprio sofrimento de Jesus, que também foi feito como um ato de amor. As dificuldades de Paulo são motivo de alegria, pois ele foi preso por espalhar as notícias surpreendentes sobre o Messias ressurreto de Israel. Assim como a glória divina habita em Jesus, Jesus também habita em sua família internacional. Nas palavras de Paulo, "o Messias está em todos vocês, a esperança da glória" (Cl 1:27).

Colossenses 2:6-23: pressões culturais

Em seguida, Paulo aborda as pressões culturais que estão tentando os colossenses a se afastarem de Jesus (Cl 2:6-23). Eles estavam sendo confrontados por uma combinação de politeísmo místico e pressão para observar as leis da Torá. Todos esses novos cristãos haviam crescido adorando os vários deuses gregos e romanos que governavam diferentes áreas da vida cotidiana. Alguns dos cristãos colossenses consideravam Jesus como mais uma divindade que poderiam adorar junto com as outras. Vindos de outro grupo cultural, os cristãos judeus pressionavam os gentios a "completar" seu compromisso com o Messias cumprindo todas as leis da Torá. Paulo fala de maneira específica sobre as pressões de seguir uma dieta kosher, respeitar os dias sagrados e a circuncisão (Gálatas).

Para Paulo, ceder a essas tentações é uma concessão inaceitável e uma falha em compreender quem Jesus é e o que ele realizou em favor deles. Os colossenses viviam com medo de poderes espirituais e daquilo que Paulo chama de "espíritos elementares" (Cl 2:8; Cl 2:20). Mas Jesus triunfou sobre esses poderes por meio de sua morte e ressurreição, libertando os colossenses de qualquer obrigação anterior a esses poderes. Da mesma forma, Jesus cumpriu todas as leis da Torá, que nunca tiveram o poder de transformar o coração humano egoísta. A obra de Jesus em sua vida, morte e ressurreição é completa e não precisa ser complementada pelo cumprimento da antiga lei. Afinal, Jesus é a realidade para a qual a Torá estava apontando o tempo todo.

Colossenses 3-4: exemplos do amor sacrificial de Jesus

Em vez de tentar viver sob as leis da Torá, os cristãos têm o poder da ressurreição de Jesus para transformar seus corações, suas mentes e seu estilo de vida. Seguir Jesus significa se juntar à nova humanidade e unir suas vidas ao Jesus ressurreto. É por isso que Paulo desafia os colossenses a “procurar as coisas do alto, onde o Messias está assentado à direita de Deus” (Cl 3:1). Paulo não quer que eles pensem que devem deixar a terra e ir para o céu. Em vez disso, os céus são o lugar transcendente de onde Jesus governa a Criação, e ele vai retornar de lá um dia para transformar todas as coisas na terra. Ou, como diz Paulo: "Quando o Messias, que é a sua vida, for revelado, vocês também serão revelados com ele em glória" (Cl 3:4).

Paulo os desafia a viver agora como os novos seres humanos que eles se tornarão no futuro. Paulo descreve a velha humanidade deles, que era caracterizada por uma sexualidade distorcida e um discurso destrutivo. Para os cristãos, aquela velha humanidade morreu junto com Jesus e foi substituída pela nova humanidade dele, que é caracterizada por misericórdia, generosidade, perdão e amor. Essa nova humanidade transcende as fronteiras étnicas e sociais do mundo para criar, nas palavras de Paulo, um povo no qual "ninguém é grego ou judeu, circunciso ou incircunciso, escravo ou livre. Mas o Messias é tudo e está em todas as pessoas" (Cl 3:11).

Em seguida, Paulo oferece um exemplo prático desse conceito, mostrando aos colossenses como essa nova humanidade poderia se manifestar em uma família romana do primeiro século. A família romana era uma instituição altamente autoritária, na qual o patriarca detinha o poder de vida e morte sobre sua esposa, filhos e escravos. Isso não acontece em um lar cristão, pois o Jesus ressurreto é o verdadeiro Senhor, onde a esposa permite que o marido seja responsável por ela, e o marido se submete a Jesus, amando sua esposa e colocando bem-estar dela acima do seu.

Em um lar onde Jesus é o Senhor, os filhos não são objetos, mas são chamados à maturidade e respeito. Os pais devem educar seus filhos com compreensão paciente. E os cristãos que são escravos também devem honrar seus senhores humanos justamente porque eles não são o verdadeiro senhor, Jesus é! Os cristãos que escravizam devem entender que essas pessoas não são sua propriedade, mas membros do corpo de Jesus. Eles devem ser honrados e acolhidos com amor.

Paulo está lidando com uma situação delicada aqui. Ele pega a instituição romana mais básica e a remodela em torno de Jesus, que governa com amor sacrificial. Apesar de não eliminar totalmente a estrutura de governo do lar, o Messias exaltado exige que ela seja transformada a ponto de ser quase irreconhecível para qualquer romano em Colossos.

Podemos ver isso com mais clareza na conclusão da carta (Cl 4:2-18). Depois de pedir oração, Paulo direciona essas instruções sobre escravos e senhores cristãos à igreja de Colossos. Descobrimos que Tíquico é quem carrega e lê esta carta aos colossenses, e que ele está acompanhado por Onésimo, que foi escravo de um cristão colossense chamado Filemom. Também descobrimos em outra carta de Paulo dirigida a Filemom que Onésimo havia escapado de seu senhor, um crime digno de prisão. Diante de toda essa tensão relacional, Paulo pede à igreja que receba Onésimo "como um irmão fiel e amado no Senhor" (Cl 4:9). Na carta a Filemom, Paulo é ainda mais claro. Ele diz que Onésimo deve ser recebido "não mais como escravo, mas como irmão" (Fm 1:16).

Nesta carta, Paulo nos convida a perceber que nenhuma parte da existência humana permanece intocada pelo governo amoroso e libertador do Jesus ressurreto. Nosso sofrimento, a tentação de comprometer nossos valores, nosso caráter moral e as dinâmicas de poder dentro de nossos lares precisam ser reexaminados e transformados. Somos convidados a viver no presente como se a nova Criação tivesse realmente chegado quando Jesus ressuscitou dos mortos.