Guia de Estudo do BibleProject

Filemom

Sobre

Filemom
6:40
Panoramas do Novo Testamento
Filemom

Esta carta a Filemom foi escrita durante uma das muitas prisões de Paulo. É a carta mais curta que ele escreveu, mas não se deixe enganar por seu tamanho. Na verdade, esta é um dos textos mais explosivos que Paulo já escreveu.

Pelo que podemos entender, Filemom era um rico cidadão romano de Colossos. Ele provavelmente conheceu Paulo durante sua missão em Éfeso (At 19), onde se tornou seguidor de Jesus. Quando Epafras, colaborador de Paulo, fundou uma comunidade de Jesus em Colossos, Filemom se tornou líder de uma igreja em sua casa.

Filemom, como todos os outros patriarcas de família do mundo romano, escravizava pessoas, uma das quais se chamava Onésimo. Em algum momento, esses dois homens tiveram um conflito sério. Onésimo cometeu injustiça contra Filemom de alguma forma, talvez roubando ou enganando. Independentemente do que tenha acontecido, a situação piorou quando Onésimo fugiu (Fm 1.18-19). Onésimo acabou visitando Paulo na prisão, provavelmente pedindo ajuda, e ali se tornou um seguidor de Jesus e um colaborador querido de Paulo.

Paulo se encontra em uma situação difícil e muito delicada ao escrever esta carta. Ele quer que Filemom não apenas perdoe Onésimo, mas também o receba e o aceite como um irmão no Messias. Em outras palavras, Paulo está pedindo a Filemom que liberte Onésimo da escravidão e passe a tratá-lo como igual na comunidade dos seguidores de Jesus.

Filemom 1.1-7: uma oração de ação de graças

Paulo começa a carta com uma oração (Fm 1.1-7), agradecendo a Deus pelo amor e pela fidelidade que Filemom mostrou a Jesus e a seu povo. Paulo começa a preparar o caminho para seu pedido de uma forma densa: "Oro para que a parceria que procede da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos no Messias" (Fm 1.6).

A palavra-chave aqui é "parceria", ou em grego, koinonia. Ela significa "compartilhamento e participação mútua". Isso se dá quando duas ou mais pessoas recebem algo juntas e compartilham, tornando-se parceiras. Paulo diz que a fidelidade a Jesus significa reconhecer que todos os seus seguidores são parceiros iguais que compartilham o dom do amor e da graça de Deus. Para Paulo, essa experiência de koinonia entre os seguidores de Jesus não é apenas uma ideia; é algo que praticamos em nossos relacionamentos.

Filemom 1.8-20: um pedido de perdão e restauração

Paulo então apresenta seu pedido a Filemom (Fm 1.8-20), finalmente mencionando Onésimo, que se tornou "filho" de Paulo na prisão (Fm 1.10). Paulo levou Onésimo a dedicar sua vida e sua lealdade a Jesus, de modo que tanto Paulo quanto Onésimo agora são membros da família de Jesus. Onésimo tem servido a Paulo fielmente na prisão e, embora Paulo queira mantê-lo por perto, ele sabe que esse conflito não resolvido com Filemom precisa ser restaurado, principalmente porque ambos são seguidores de Jesus. Paulo pede que Filemom receba Onésimo de volta "não mais como escravo, mas como irmão amado no Senhor" (Fm 1.16). Isso é uma tarefa difícil. De acordo com a lei romana, Filemom tinha todo o direito de punir ou colocar Onésimo na prisão. Paulo não está apenas pedindo a ele que perdoe Onésimo, mas que o acolha de volta em Colossos como alguém de igual posição social e parte da família.

Podemos ver que isso vai muito além da bondade e, na verdade, é algo inédito! Libertar um escravo e tratá-lo como família significaria abalar o status quo da ordem social romana. Por que Filemom faria algo assim? É aqui que Paulo realiza uma jogada genial, trazendo de volta a palavra-chave koinonia de sua oração inicial. Ele diz que, se você for realmente meu "parceiro", "receba Onésimo como se ele fosse eu. Se ele o prejudicou em algo ou lhe deve alguma coisa, ponha na minha conta. Eu pagarei" (Fm 1.17-19).

Dentro desse pedido, podemos ver o núcleo da mensagem do evangelho de Paulo sendo colocado em prática. Para Paulo, o evangelho, em primeiro lugar, tem a ver com reconciliação. Como ele disse aos coríntios: "No Messias, Deus estava reconciliando o mundo consigo mesmo, sem levar em conta os pecados das pessoas" (2Co 5:19). Nessa situação, Paulo está desempenhando o papel de Jesus. Ele absorverá as consequências das transgressões de Onésimo e pagará o preço pessoalmente, para que ele possa se reconciliar com Filemom.

A mensagem de Paulo vai além de uma transação legal: tudo gira em torno da koinonia. Onésimo, Filemom e Paulo são parceiros iguais diante de Deus, e todos compartilham a mesma necessidade de perdão. O chão é plano diante da cruz. Filemom e Onésimo não podem mais se relacionar apenas como “senhor” e “escravo”, pois agora são membros da família, irmãos no Messias, como Paulo diz a Filemom, juntamente com toda a igreja de Colossos.

“Na nova família de Deus, não há grego nem judeu, circunciso ou incircunciso, estrangeiro ou incivilizado, escravo ou livre. Mas o Messias é tudo e está em todas as pessoas” (Cl 3:11).

Filemom 1.21-25: conclusão

Paulo então encerra a breve carta, afirmando sua confiança de que Filemom fará ainda mais do que Paulo pediu. Paulo pede a ele que prepare um quarto para os hóspedes, pois quer fazer uma visita assim que sair da prisão. E, então, Paulo encerra a carta com algumas saudações finais.

A carta de Paulo a Filemom é poderosa por muitas razões. É a única carta na qual Paulo não menciona explicitamente a morte ou a ressurreição de Jesus, e isso não é por acaso. Ele não precisa explicar a cruz com palavras, porque ele está demonstrando isso por meio de suas ações. Paulo está incorporando o significado da cruz, tornando-se o meio pelo qual Onésimo e Filemom se reconciliam com Deus e entre si.

Esta carta nos mostra que as implicações das boas novas sobre Jesus são extremamente pessoais, mas nunca privadas. O fato de que Filemom e Onésimo agora são irmãos no Messias torna seu relacionamento entre senhor-escravo totalmente irrelevante. A família do povo de Jesus, onde todos recebem igualmente a graça de Deus, é um novo tipo de sociedade, ou aquilo que Paulo chama de "nova humanidade" (Cl 3:10). Nessa nova sociedade, o valor e o status social das pessoas não são mais definidos por raça, sexo, classe social ou econômica. No Messias, eles são simplesmente novos seres humanos e parceiros iguais que compartilham a misericórdia restauradora de Deus por meio de Jesus.