Guia de Estudo do BibleProject

1 e 2Samuel

Sobre

1Samuel
7:19
Panoramas do Antigo Testamento
1Samuel

Os livros de Samuel foram originalmente escritos como uma história única e coerente, mas, por causa do tamanho da obra, eles foram separados em dois livros na nossa Bíblia moderna.

Depois que a nação de Israel foi resgatada da escravidão no Egito e fez uma aliança com Deus no monte Sinai, eles finalmente entraram na terra prometida. Lá, Israel deveria ser fiel a Deus e obedecer aos mandamentos da aliança, mas o livro de Juízes mostra como Israel falhou feio. Foi um tempo de caos moral que revelou a necessidade que Israel tinha de líderes sábios e fiéis. Os livros de Samuel apresentam uma resposta para essa necessidade.

A história se concentra em três personagens principais: Samuel, Saul e Davi. Eles foram líderes fundamentais cujas decisões e ações conduziram Israel da era dos juízes para um reino unificado sob o governo do rei Davi em Jerusalém.

Esses livros têm uma estrutura fascinante que entrelaça as histórias desses três personagens em quatro partes (1Sm 1-7 e 8-31; 2Sm 1-21 e 22-24). Samuel é um líder e profeta importante na primeira parte do livro (1Sm 1-7), e ele continua sendo fundamental na parte seguinte. A história de Saul (1Sm 8-31) se desenvolve em dois movimentos principais: sua ascensão ao poder e seus grandes fracassos (1Sm 8-15), seguidos por sua queda e morte trágica (1Sm 16-31). A tensão na queda de Saul é acompanhada pela empolgante ascensão de Davi ao poder (1Sm 16-31). A história de Davi também é contada em dois movimentos. Primeiro, ele experimenta uma fase de grande sucesso (2Sm 1-9), mas logo seu próprio fracasso trágico desencadeia a lenta destruição de sua família e de seu reino (2Sm 10-20). Tudo isso termina com um epílogo (2Sm 21-24) que olha para os acontecimentos anteriores e reflete sobre o significado de toda a narrativa.

1Samuel 1–7: Ana e a ascensão de Samuel

A primeira parte continua a partir do caos mostrado no livro de Juízes. Somos apresentados à história comovente de uma mulher chamada Ana, que sofre porque nunca conseguiu ter filhos. Pela graça de Deus, ela finalmente dá à luz Samuel e, cheia de gratidão e alegria, canta um poema extraordinário no capítulo 2. Ela canta sobre como Deus se opõe aos orgulhosos e exalta os humildes, como, apesar do mal humano, Deus está realizando seus propósitos, e como um dia Deus vai levantar um rei ungido para o seu povo. O poema de Ana foi colocado no começo para apresentar temas que vamos ver ao longo de toda a história.

Samuel, filho de Ana, cresce e se torna um grande profeta e líder para o povo de Israel, enquanto os filisteus surgem como uma potência e se tornam seus inimigos (1Sm 4–7). Em uma batalha decisiva, os israelitas ficam arrogantes e, em vez de orar, levam a arca da aliança como se fosse um troféu mágico que garantirá a vitória. Por causa do orgulho e da presunção deles, Deus permite que Israel perca a batalha, e a arca é roubada. Os filisteus levam a arca e a colocam no templo de seu deus, Dagon. O Deus de Israel responde derrotando completamente os filisteus e seus ídolos sem usar um exército, enviando pragas sobre eles. Diante disso, os filisteus devolvem a arca para Israel. A mensagem é clara: Deus não é o troféu de Israel e ele se opõe ao orgulho tanto dos filisteus quanto dos israelitas. Se Israel quiser experimentar a bênção da aliança, precisa continuar humilde e obediente.

1Samuel 8–31: A queda de Saul e a ascensão de Davi

Seguimos para a próxima grande seção (1Sm 8-31), em que os israelitas vão até Samuel e exigem um rei “igual a todos os outros povos”. Samuel fica com razão irritado com isso e consulta Deus, que responde dizendo que, embora as motivações deles estejam erradas, se é um rei que eles querem, é um rei que eles vão ter. A partir daí, somos apresentados a Saul.

Saul é uma figura trágica, cheio de potencial, alto e bonito. Ele parece um ótimo candidato a rei, mas tem falhas profundas de caráter. Ele é desonesto, não tem integridade e não consegue reconhecer seus erros. Essas características acabam levando à sua queda. Embora ele vença algumas batalhas, suas falhas são tão profundas que ele acaba se desqualificando da posição ao desobedecer abertamente aos mandamentos de Deus (1Sm 13 e 15).

O agora já idoso Samuel confronta Saul e Israel. Ele tinha avisado o povo que eles só se beneficiariam se tivessem um rei humilde e fiel a Deus; caso contrário, seus reis trariam destruição. Então ele se volta para Saul e informa que Deus vai levantar um novo rei para substituí-lo (1Sm 15).

A queda de Saul começa quando Deus age nos bastidores para levantar um novo rei, um pastorzinho aparentemente insignificante chamado Davi. Ele é o candidato menos provável para ser rei, mas, por meio da famosa história de Davi e Golias (1Sm 17), vemos que a escolha de Deus não se baseia no status de Davi, e sim na sua confiança radical e humilde no Deus de Israel. Essa história dá vida aos temas do poema de Ana: Saul e Golias, movidos pelo orgulho, são humilhados, enquanto o humilde Davi é exaltado.

Em 1Samuel 18–31, a história mostra Saul em um declínio lento rumo à loucura, enquanto Davi ascende ao poder. Davi trabalha para Saul como general, vence todas as suas batalhas e ganha muita fama. Saul rapidamente fica com ciúmes e começa a caçar Davi para matá-lo. Davi, porém, não fez nada de errado. Ele simplesmente foge e espera, e isso revela seu verdadeiro caráter. Mesmo tendo várias oportunidades de matar Saul, ele não faz isso. Em vez disso, ele confia que, apesar da maldade de Saul, Deus vai levantar um rei para o seu povo. Muitos dos poemas de Davi no livro dos Salmos estão ligados exatamente a esse período de sua vida (Sl 18; Sl 52; Sl 54; Sl 57; Sl 59 e 63). A seção termina com Saul fracassando em capturar Davi e morrendo tragicamente em batalha contra os filisteus.

O livro de 1Samuel traz algumas das histórias mais bem construídas da Bíblia, e as pessoas nessas histórias são apresentadas de um jeito muito real. O autor apresenta essas narrativas como estudos de personagem, para que a gente possa se enxergar nelas. Na história de Saul, vemos um alerta: é essencial refletir sobre nossas falhas de caráter e sobre como elas ferem tanto a nós quanto aos outros. Percebemos como precisamos nos humilhar e, com a ajuda de Deus, enfrentar nossos lados sombrios. Davi é apresentado como um exemplo de paciência e de confiança no tempo de Deus na nossa vida. Enquanto era perseguido por Saul, Davi tinha todos os motivos para achar que Deus o tinha abandonado, mas ele não desistiu. Na verdade, a história dele nos encoraja a confiar que, apesar do mal que as pessoas fazem, Deus está realizando seu propósito de se opor aos orgulhosos e exaltar os humildes.

2Samuel
5:57
Panoramas do Antigo Testamento
2Samuel

2Samuel 1–20: a aliança de Deus com o rei Davi (e o fracasso de Davi)

O segundo livro de Samuel começa depois da morte de Saul, e Davi surpreende todo mundo ao compor um longo poema lamentando a morte do homem que tentou assassiná-lo. Mais uma vez, o autor mostra a humildade e a compaixão de Davi, que é o tipo de pessoa que lamenta até a morte de seus inimigos.

Davi passa por um período de sucesso e bênção de Deus. As tribos de Israel vão até Davi e pedem que ele una todas elas como seu rei. Ele aceita, e a primeira coisa que faz como rei é ir a Jerusalém, conquistá-la, estabelecer a cidade como capital de Israel e dar a ela o nome de Sião. A partir daí, Davi continua vencendo muitas batalhas e ampliando o território de Israel.

Depois que Davi fez de Jerusalém a capital política de Israel, ele também quis torná-la a capital religiosa. Então mandou levar a arca da aliança para dentro da cidade (2Sm 6). Em seguida, Davi diz a Deus que, se Israel agora tem um lar permanente, a presença de Deus também deveria ter um lugar para habitar. Por isso, ele pergunta se pode construir um novo templo para ele. Mas Deus diz a Davi: “Obrigado pela intenção, mas na verdade sou eu que vou construir uma casa para você — uma dinastia.”

Este é um capítulo importante para entender a história de toda a Bíblia. Deus promete a Davi que virá um rei de sua linhagem que construirá o templo e estabelecerá um reino eterno. É essa promessa messiânica feita a Davi que é desenvolvida com mais detalhes no livro dos Salmos (Sl 2; Sl 72; Sl 132 e 145) e nos Profetas (Is 11; Ez 34; e Zacarias). É esse rei que está ligado à promessa de Deus a Abraão (Gn 12). O futuro reino messiânico será o meio pelo qual Deus vai trazer bênção para todas as nações.

Este é um momento marcante na vida de Davi. Infelizmente, é justamente aqui, em meio à bênção de Deus, que as coisas dão muito errado. Davi comete um erro fatal — não fatal para ele, mas para um homem chamado Urias, um dos soldados mais valiosos de Davi. Do terraço de sua casa, Davi vê Bate-Seba, esposa de Urias, tomando banho. Ele manda buscá-la, abusa dela e ela engravida. Em seguida, tenta encobrir tudo mandando matar Urias e se casando com ela logo após sua morte.

Quando o profeta Natã confronta Davi, ele imediatamente assume o que fez. Ele fica arrasado e se arrepende, pedindo que Deus o perdoe. E Deus perdoa, mas não apaga as consequências das decisões de Davi. Como resultado dessas escolhas terríveis, a família de Davi começa a se desintegrar, tornando essa parte da história tão trágica quanto a de Saul.

Os filhos de Davi acabam repetindo os erros do pai, mas de maneiras ainda piores. Amnom abusa sexualmente de sua irmã Tamar e, quando o irmão deles, Absalão, descobre, manda matar Amnom (2Sm 13). Em seguida, Absalão arma um plano para tirar o próprio pai do poder e inicia uma rebelião em grande escala (2Sm 15).

Então, pela segunda vez, Davi é forçado a fugir da própria casa e se esconder no deserto, só que agora ele não é inocente. A rebelião termina quando o filho de Davi é assassinado (2Sm 18), e isso parte o coração de Davi. Mais uma vez, ele lamenta por aqueles que tentaram matá-lo. Nos seus últimos dias, Davi volta ao trono, mas como um homem fragilizado, marcado pelas tristes consequências do seu pecado.

2Samuel 21–24: epílogo e a esperança por um Davi maior

Os livros de Samuel terminam nos capítulos 21–24 com um epílogo muito bem elaborado. As histórias não estão em ordem cronológica, porque receberam um formato literário simétrico. As duas histórias externas (2Sm 21a e 24) vêm do ínicio do reinado de Davi e comparam os fracassos de Saul (2Sm 21a) e de Davi (2Sm 24), além de mostrar como eles feriram outras pessoas por causa de suas decisões ruins.

As duas histórias seguintes (2Sm 21b e 23b) falam sobre Davi e seu grupo de “homens valentes” lutando contra os filisteus. É interessante notar que as duas seções apresentam uma história sobre a fraqueza de Davi na batalha. Em contraste com as histórias do Davi heróico e vitorioso, aqui vemos um Davi vulnerável, que depende de outras pessoas para receber ajuda.

O centro do epílogo traz dois poemas que funcionam como memórias, enquanto Davi reflete sobre a própria vida (2Sm 22 e 23a). Ele se lembra de momentos em que Deus o resgatou com graça do perigo e entende isso como expressão da promessa da aliança de Deus, não só para ele, mas para todo o mundo. Os dois poemas retomam a esperança no futuro messias que vai construir um reino eterno.

Os poemas finais de Davi também se conectam com o cântico de Ana, que abre o livro de 1Samuel. Esses poemas, no início, no fim e, em 2Samuel 7, no centro do livro, reúnem todos os temas e ideias principais. Apesar do mal de Saul e Davi, Deus agiu para realizar seus propósitos. Deus enfrentou a arrogância deles várias vezes e, quando Davi se humilhou, ele foi exaltado. Ao final do livro, a esperança futura dos últimos poemas vai muito além do próprio Davi, apontando para o futuro messias que vai trazer o reino de Deus e sua bênção para todas as nações.

Perguntas frequentes

Aqui estão algumas das perguntas mais comuns que as pessoas fazem online sobre este livro.