Rute
Sobre

Esta breve história é uma obra brilhante de arte teológica que nos convida a refletir sobre como Deus está envolvido nas alegrias e dificuldades do nosso dia a dia. Há três personagens principais neste livro: Noemi, a viúva, Rute, a moabita, e Boaz, o agricultor israelita. A história deles é contada em quatro capítulos que são escritos de uma maneira belíssima. Vamos explorá-la e acompanhar como ela se desenrola.
Rute 1: apresentando Noemi e Rute
O capítulo 1 começa com a frase: "No dia em que os juízes governavam" (Rt 1:1). Isso nos lembra dos dias sombrios e difíceis do livro de Juízes. Encontramos uma família israelita em Belém — Elimeleque, Noemi e seus filhos, Malom e Quiliom — lutando para sobreviver durante a fome. Em busca de comida, eles se mudam para a terra de Moabe, o antigo inimigo de Israel.
Enquanto estão lá, o pai, Elimeleque, morre, e os filhos se casam com mulheres moabitas, Rute e Orfa. Os filhos acabam morrendo como o pai, restando apenas Noemi e suas noras. Sem razões para permanecer, Noemi avisa que está voltando para casa. Ela sabe que a vida de uma viúva estrangeira e solteira em Israel será difícil, por isso ela as encoraja a ficar para trás. Orfa concorda, mas Rute mostra uma lealdade notável a Noemi, dizendo: "Para onde você for, eu vou. Seu povo será o meu povo, e seu Deus será o meu Deus" (Rt 1:16) As duas retornam a Israel, e o capítulo conclui com Noemi mudando seu nome para Mara, que significa "amarga", enquanto lamenta seu destino trágico.

Rute 2: Rute encontra Boaz
O capítulo 2 começa com Noemi e Rute discutindo onde encontrar alimento, e isso acontece durante o início da colheita de cevada. Rute sai e acaba colhendo grãos no campo de Boaz, parente de Noemi, que nos é apresentado como um "homem de caráter nobre". Ele percebe Rute e, ao conhecer sua história, demonstra uma generosidade notável. Ele faz provisões especiais para que a imigrante Rute colete em seu campo, assim como a Torá ordena (Dt 24:19). Boaz está tão impressionado com a lealdade de Rute a Noemi que ora para que Deus a recompense por sua ousadia. Depois que Rute chega em casa naquele dia, Noemi descobre que conheceu Boaz e fica muito feliz. Boaz é seu "parente resgatador". Essa expressão se refere a uma prática cultural em Israel, na qual, se um homem da família morresse deixando esposa, caberia ao resgatador casar-se com a viúva e proteger a família. Noemi começa a ter expectativa de que talvez ainda haja um futuro para sua família.
Rute 3: Rute pede a Boaz que se case com ela
O capítulo 3 começa com Noemi e Rute elaborando um plano para que Boaz perceba a condição em que se encontram. Rute deixará de usar as roupas de viúva enlutada e mostrará que está disponível para se casar novamente. Rute vai se encontrar com Boaz na fazenda à noite. Ao se aproximar, Boaz acorda assustado, mas Rute deixa suas intenções claras, perguntando se ele resgatará a família e se casará com ela. Boaz fica mais uma vez surpreso com a lealdade de Rute a Noemi e sua família e chama Rute de uma "mulher de caráter nobre". Ele pede que ela espere até o dia seguinte, quando resgatará Rute e Noemi legalmente diante dos anciãos da cidade. Rute retorna a Noemi e juntas se maravilham com os acontecimentos da noite.
Rute 4: conclusão e o papel de Deus na história
No capítulo 4, tudo se encaixa. Acontece que há um membro da família mais próximo do que Boaz, que também está interessado em resgatar a família, mas, no último momento, ele descobre que tem que se casar com Rute, a moabita, e recusa. Boaz, por outro lado, conhece o verdadeiro caráter de Rute e, assim, adquire a propriedade do falecido marido de Noemi e casa-se com Rute. Assim como Rute foi leal à família de Noemi, Boaz também foi leal a essa família.
A história se conclui com uma completa reversão de todas as tragédias do capítulo 1. As mortes de filhos e maridos são revertidas quando Rute se casa novamente e dá à luz um filho, trazendo alegria a ela e a Noemi. Essa simetria se torna ainda mais notável. A tragédia inicial, seguida por um grande ato de lealdade de Rute, é correspondida pelo ato de lealdade de Boaz, que conduz à restauração final da família. Tudo isso também destaca a estrutura dos capítulos internos. Cada capítulo começa com Noemi e Rute elaborando um plano para o futuro, seguido por um encontro providencial entre Rute e Boaz, e termina com Noemi e Rute celebrando o que aconteceu.
A narrativa é escrita de forma primorosa, e essa estrutura literária se conecta com um ponto interessante da história, qual seja, o fato de que Deus é muito pouco mencionado. Os personagens falam sobre Deus algumas vezes, mas o narrador quase nunca menciona Deus agindo explicitamente na história. É nesse detalhe sutil que reside a genialidade do livro, já que a providência de Deus opera nos bastidores, conectando as vidas dos personagens. Embora a tragédia de Noemi a faça pensar que Deus a está punindo, descobrimos que ele está, na verdade, em uma missão para restaurá-la. E Deus realiza essa restauração através da ousadia e lealdade de Rute. A razão pela qual as ações de Rute trazem cura à vida dela e de Noemi é por causa de Boaz, um agricultor prudente cheio de generosidade e lealdade.

A história é uma análise literária da interação entre os propósitos de Deus e as decisões humanas. Deus entrelaça a obediência fiel de seu povo para realizar seus propósitos redentores.
Isso nos leva ao verdadeiro final do livro, que não consiste em uma história. O livro conclui com uma genealogia que mostra como o filho de Boaz e Rute, Obede, foi avô do rei Davi, de quem veio a linhagem do Messias. De repente, os eventos aparentemente comuns nesta história são entrelaçados na grande história de redenção de Deus para o mundo todo. A pequena história de Rute se insere na história maior do propósito de Deus e, dessa maneira, o livro de Rute nos convida a refletir sobre como Deus pode estar trabalhando também em nossas próprias vidas.
Perguntas frequentes
Confira algumas das perguntas mais comuns feitas na internet sobre este livro bíblico.
Deus abençoa Noemi principalmente por meio das pessoas, especialmente pelo amor leal de Rute, pela bondade de Boaz e pelo legado de seu neto Obede. A história de Noemi começa de maneira trágica. Depois de deixar a terra prometida de Israel para buscar refúgio em Moabe durante um tempo de fome, seu marido e dois filhos morrem, deixando Noemi e suas duas noras moabitas sozinhas em uma cultura onde as viúvas são muito vulneráveis.
Quando Noemi ouve que Deus providenciou alimento em Belém, sua cidade natal, ela decide voltar. Ela diz às suas noras, Rute e Orfa, para deixá-la e permanecerem em Moabe. Mas Rute se apega a Noemi, prometendo permanecer fiel a ela até a morte e invocando Deus como testemunha (Rt 1:6-18).
Deus abençoa Noemi por meio de Rute, que demonstra "amor leal" (em hebraico: khesed, Rt 3:10) ao voltar com Noemi a Belém, apesar de Rute ser uma viúva moabita pobre, e ao trabalhar nos campos de cevada para sustentar ambas.
Deus também abençoa Noemi por meio da bondade de um proprietário de terras chamado Boaz. Boaz dá uma atenção especial a Rute quando ela colhe alimentos em seus campos, dando-lhe alimento extra (Rt 2). Sendo um dos “parentes resgatadores” de Noemi (go'el, veja Lv 25:25), Boaz restaura a terra da família de Noemi (Rt 4:1-9 ). Ele também cumpre a prática do casamento levirato ao se casar com Rute para produzir um herdeiro para seu marido falecido e continuar a linhagem familiar de Noemi (Rt 4:10-13; veja Dt 25:5-10).
No final da história, Deus abençoa Noemi por meio de Rute e de Obede, filho de Boaz (Rt 4:13-17). Noemi passa a cuidar dele, e as mulheres da cidade o consideram como filho de Noemi, afirmando que ele “restaurará a vida dela” (Rt 4:15, tradução do BibleProject).
O nome de Noemi vem de uma palavra hebraica que significa "agradável" (veja Pv 3:17). Mas quando Noemi retorna à sua cidade natal depois da morte de seu marido e filhos em Moabe, ela pede às mulheres da cidade que a chamem de Mara, que significa "amarga" (Rt 1:20; veja Êx 15:23). Ela explica que Deus "tratou com muita amargura (em hebraico: marar)" com ela, trazendo-a de volta à sua terra "vazia" (Rt 1:20-21, NVI).
É compreensível o lamento de Noemi, fruto de tanto sofrimento. Mas o que ela ainda não consegue enxergar é que Deus não a trouxe de volta de mãos vazias. Deus lhe deu Rute, uma nora moabita que faz um juramento de permanecer fiel a Noemi até a morte e invoca Deus como testemunha (Rt 1:16-17).
O restante da história é sobre como Deus age para mostrar seu amor leal a Noemi por meio de Rute, levando as mulheres da cidade a declarar que Rute é melhor para Noemi do que sete filhos (Rt 4:15). O livro se encerra com Noemi de braços cheios, segurando o filho de Rute, seu neto, que restaurará sua vida de seu estado amargo (Rt 4:15-16).
Deus abençoa Rute ao agir nos bastidores para prover segurança a ela e a Noemi, sua sogra. Deus age primeiro por meio daquilo que parece ser um encontro casual. Quando Rute se aproveita das leis israelitas que permite que ela possa colher o que sobra nos campos depois dos colhedores (veja Lv 23:22; Dt 24:19), diz que "aconteceu" de ela trabalhar em um campo pertencente a Boaz, uma parente do marido falecido de Noemi (Rt 2:3, Rt 2:3). Mas o autor bíblico quer que reconheçamos que isso é mais do que uma mera coincidência: Deus guiou Rute ao campo de Boaz.
Deus também abençoa Rute por meio da bondade e da generosidade de Boaz. Boaz admira o "amor leal" de Rute (em hebraico: khesed) por sua sogra e invoca a bênção de Deus sobre ela (Rt 2:10-12; Rt 3:10). Tratando-a com dignidade e compaixão, ele atende às suas necessidades e oferece proteção a ela em seus campos (Rt 2:8-16). E quando Rute segue o plano arriscado de Noemi para garantir um casamento com Boaz, Boaz concorda, oferecendo segurança e provisão a ela (Rt 3:1-13; Rt 4:9-10).
Por fim, Deus abençoa Rute com um filho para dar continuidade ao legado familiar. E seu filho Obede se torna o avô do rei Davi (Rt 4:17) e ancestral de Jesus de Nazaré (Mt 1:5).
Boaz é parente do marido falecido de Noemi, Elimeleque, que é descrito como "um homem poderoso e forte (em hebraico: khayil)" (Rt 2:1, tradução do BibleProject). A palavra hebraica khayil pode se referir a diferentes tipos de força, e aqui pode sugerir que Boaz é um homem com recursos, ou seja, que ele tem força em posses ou riqueza (veja a versão NVT).
Mas quando Boaz descreve Rute, que é pobre, como uma "mulher forte ('eshet khayil)" (Rt 3:11, tradução do BibleProject; veja Pv 31:10), ele se refere à sua força de caráter. E, como a fidelidade e o amor leal de Boaz são paralelos aos de Rute, a referência a seu khayil também pode destacar a força de seu bom caráter (veja Rt 2:1, NVT).
Boaz demonstra sua fidelidade a Deus ao seguir a torah de Deus ("lei" ou "instrução") e permitir que Rute colha grãos em seus campos (veja Lv 23:22; Dt 24:19). E ele vai além das exigências da lei, dando-lhe comida, água e proteção, e instruindo seus trabalhadores a extrair algumas espigas de cevada de suas próprias espigas para deixá-las para ela (Rt 2:8-16).
Como parente, Boaz também cumpre seu papel como "parente redentor" (go'el, veja Lv 25:25), restaurando a terra da família de Noemi (Rt 4:1-9). E ele concorda em se casar com Rute, oferecendo segurança e provisão para a família e continuando a linhagem familiar de Noemi (Rt 4:10). Por meio de seu filho que Rute gera, Boaz se torna parte da linhagem do rei Davi e, mais tarde, de Jesus de Nazaré (Rt 4:21-22; Mt 1:5).
Deus é mencionado cerca de 20 vezes no livro de Rute, embora sua ação direta seja mencionada apenas duas vezes. No início do livro, Deus dá alimento a Israel depois de uma longa fome (Rt 1:6). E, no final da história, Deus permite que Rute conceba um bebê (Rt 4:13). Assim, o livro é estruturado em torno de duas passagens que mostram a intervenção amorosa de Deus.
No restante da história, o nome de Deus aparece principalmente nos discursos dos personagens. Por exemplo, Rute e Boaz invocam Deus ao fazerem seus juramentos. Rute promete lealdade a Noemi e a Deus, invocando Deus como testemunha (Rt 1:16-17). Mais tarde, Boaz jura ajudar Rute e Noemi "porque Yahweh vive" (Rt 3:13).
Os personagens também mencionam Deus em seus lamentos e bênçãos. Quando Noemi retorna a Belém depois da morte de seu marido e seus filhos, ela lamenta que Deus a tenha trazido de volta sozinha (Rt 1:20-21). Mais tarde, ela clama a Deus para que abençoe Boaz por seu amor leal (Rt 2:20). E as mulheres de Belém "abençoam" (em hebraico: barak, às vezes traduzidas como "louvor") a Deus no final da história por providenciar uma nova família a Noemi (Rt 4:14).
No entanto, embora as bênçãos nesta história mencionem Deus, elas são cumpridas principalmente por meio das pessoas. Boaz pede a Deus que abençoe Rute, dizendo que ela se refugiou sob as "asas" de Deus (kanaph, Rt 2:12). Mas só quando Boaz estende a "asa" (kanaph) de sua veste sobre Rute (Rt 3:9) — o que significa que ele se casa com ela (veja Rt 4:10-13) — é que ela experimenta a bênção de refúgio de Deus. O autor conecta esses dois elementos de forma criativa para mostrar que as bênçãos de Deus são realizadas por meio das escolhas das pessoas.
Ao longo desta história, as ações fiéis de personagens como Boaz e Rute se alinham aos bons planos de Deus e, portanto, se tornam fontes de bênção para aqueles ao seu redor.
O livro de Rute termina com uma genealogia, revelando que Rute é a bisavó do rei Davi (Rt 4:17-22), o que significa que ela também é uma ancestral de Jesus de Nazaré. O Evangelho de Mateus inclui Rute e outras quatro mulheres na genealogia de Jesus (Tamar, Raabe, Bate-Seba e Maria; veja Mt 1:1-17). Assim como Rute, a viúva moabita, todas essas mulheres são heroínas improváveis.
Prefigurando Rute, Tamar é uma viúva (provavelmente estrangeira) que age com coragem notável para preservar uma linhagem familiar (Gn 38). Raabe é uma trabalhadora sexual cananeia que escolhe ajudar os israelitas e seguir o Deus deles (Js 2). E Bate-Seba é identificada na genealogia de Mateus como "a esposa de Urias" (Mt 1:6), lembrando os leitores do estupro que sofreu nas mãos do rei Davi (2Sm 11-12). Mas Deus honra Bate-Seba ao colocar seu filho Salomão no trono depois de Davi, embora ele não seja o primogênito de Davi (1Cr 22:6-10).
A genealogia de Jesus em Mateus conclui com Maria, a mãe de Jesus. Maria segue fielmente o plano de Deus para que ela gere o Messias prometido como virgem, embora isso a exponha à vergonha por conceber um filho antes do casamento. Mateus inclui essas mulheres corajosas na genealogia de Jesus para destacar como Deus muitas vezes escolhe pessoas marginalizadas para participar de seus propósitos redentores.
Rute nos mostra como é seguir a Deus com coragem e fidelidade. Sua história fornece um exemplo importante de "amor leal" (em hebraico: khesed, Rt 1:8; Rt 3:10) durante um período sombrio na história de Israel.
Sendo uma viúva moabita pobre, Rute vive às margens da sociedade. No entanto, sua fidelidade a Deus e a sua sogra, Noemi, transforma uma história de sofrimento e perda em uma história de vida e abundância. Em Israel, Rute teria sido rejeitada e vulnerável a abusos, mas ela promete cuidar de Noemi e trabalha arduamente para lhe providenciar alimento e segurança. E Deus age por meio da bondade de Rute para restaurar o futuro de Noemi.
As escolhas de Rute contrastam fortemente com as de muitos israelitas durante o período dos juízes, época em que o livro de Rute é estabelecido (Rt 1:1). Em uma época em que "todos faziam o que era certo aos seus próprios olhos" (Jz 21:25, tradução do BibleProject), Rute faz o que é certo aos olhos de Deus e, como ela vive de acordo com os caminhos de Deus, ela busca refúgio em sua proteção (Rt 2:11-12).
Rute e Boaz acabam tendo um filho, Obede, que se torna o avô do rei Davi (Rt 4:17). O exemplo de fidelidade humilde de Rute é um modelo para os outros, incluindo os reis que vêm depois dela, e suas ações apontam para a chegada de seu descendente posterior, Jesus de Nazaré. A genealogia de Jesus segundo Mateus inclui tanto Rute quanto Boaz, que prefiguram o ministério de amor leal de Jesus (Mt 1:5).
Deus não amaldiçoa os moabitas, mas em Deutoronômio 23:3, ele declara: "Nenhum amonita ou moabita entrará na assembleia de Yahweh; até a décima geração, nenhum deles entrará na assembleia de Yahweh" (tradução do BibleProject). Os próximos versículos explicam o motivo (Dt 23:4-6).
Quando os israelitas estavam com fome e sede, viajando pelo deserto do Egito até a terra prometida, eles encontraram os moabitas. Em vez de fornecer ajuda com comida ou água, os moabitas procuraram aumentar o sofrimento de Israel ao contratar o profeta Balaão para amaldiçoar Israel (veja Nm 22-24).
Mas o livro de Rute fornece uma perspectiva diferente sobre o relacionamento de Israel com Moabe. Rute, uma moabita, entra na comunidade israelita e conquista a reputação de mulher leal e forte. Seu amor e fidelidade surpreendentes para com sua sogra israelita, Noemi, em um período de extrema necessidade, contrastam fortemente com a rejeição de Moabe a Israel no deserto durante seu tempo de necessidade. Rute então se torna a bisavó de Davi, o rei mais famoso de Israel (Rt 4:13-17).
A história de Rute é redentora, fornecendo uma imagem de relacionamento justo entre Moabe e Israel, e seu exemplo sugere que o mandamento de Deus em Deuteronômio 23:3 não é uma regra rígida. O que mais importa não é o passado de uma pessoa, mas como ela responde a Deus.

