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Números

Sobre

Números
6:51
Panoramas do Antigo Testamento
Números

Números é o quarto livro da Bíblia e dá continuidade à história de Israel após o êxodo da escravidão no Egito. Deus os trouxe ao Monte Sinai e estabeleceu uma aliança com eles. E, apesar da rebelião de Israel, Deus graciosamente providenciou um caminho para que eles vivessem perto de sua presença santa no tabernáculo.

O livro de Números começa quando o povo de Israel termina sua estadia de um ano no Monte Sinai e se dirige ao deserto a caminho da terra que Deus prometeu a Abraão. O enredo do livro é organizado de acordo com as etapas da jornada deles. A primeira seção começa no Monte Sinai (Nm 1-10a) e continua com eles viajando para o deserto do Parã (Nm 10b-19). A partir daí, eles viajam em direção às planícies de Moabe (Nm 20-36), bem em frente à terra prometida.

Números 1-10a: a presença de Deus com Israel

A primeira seção (Nm 1-4) começa com um censo em que o povo é contado. É daí que o livro recebe seu nome. A seção continua com leis sobre como as tribos de Israel deveriam se organizar em seu acampamento. O tabernáculo ficava no centro, cercado pelos sacerdotes e levitas, e as doze tribos eram dispostas cuidadosamente, com Judá à frente. Tudo isso é um símbolo elaborado de como a presença santa de Deus estava no centro de sua existência como povo.

Isso é acompanhado por uma série de leis que desenvolvem ainda mais as leis de pureza ritual encontradas em Levítico. Se a presença de Deus estava no meio deles, todo esforço deveria ser feito para tornar o acampamento puro, um lugar que acolhesse a santidade de Deus.

Números 10b-19: a rebelião no deserto

No capítulo 10, a nuvem da presença de Deus se eleva do tabernáculo e guia Israel para o deserto, longe do Sinai. Imediatamente, as coisas dão terrivelmente errado. No capítulo 11, as pessoas se queixam da fome e desejam voltar ao Egito. E então, no capítulo 12, o próprio irmão e irmã de Moisés se opõem a ele e o criticam na frente de todo o povo. As coisas não começam bem.

A próxima seção do livro de Números começa quando as pessoas chegam ao deserto de Parã, cerca da metade do caminho para a terra prometida. Deus diz a Moisés para enviar doze espiões, um para cada tribo, para investigar a terra (Nm 13-14). Ao voltarem, dez deles afirmam que Israel não tem como sobreviver, pois os cananeus irão destruí-los. E mesmo que dois espiões, Calebe e Josué, digam que Deus pode salvá-los, o povo se deixa levar pelo medo e começa a planejar uma rebelião para nomear um novo líder e voltar ao Egito.

Deus está compreensivelmente irado, e Moisés intercede mais uma vez e clama a Deus para ser fiel às suas promessas a Abraão. Deus concorda, mas não às custas da justiça. Ele dá aos israelitas o que eles querem — não entrar na terra — e condena aquela geração a vagar pelo deserto por 40 anos até morrerem. Somente seus filhos poderão entrar na terra.

Poderíamos pensar que uma consequência tão grave despertaria os israelitas, mas a rebelião piora. Na próxima história, um grupo de levitas começa uma rebelião, desafiando a liderança de Moisés e Arão. Deus pune-os com rigor e, em seguida, renova sua aliança com Moisés e Arão como líderes do povo de Israel.

Números 20–36: a misericórdia de Deus sobre Israel

Ao deixar a região de Parã, as coisas não melhoram para os israelitas. Eles se queixam porque estão com sede e questionam por que Moisés os tirou do Egito. Deus diz a Moisés para falar com uma rocha e tirar água para o povo, mas Moisés se rebela e excede seus limites (Nm 20:10). Ele bate na rocha duas vezes e diz: "Rebeldes, precisamos tirar água desta rocha?" Ao se colocar no lugar de Deus, Moisés desonra o Senhor e recebe o mesmo destino da geração que vagou pelo deserto, isto é, ele morrerá no deserto e nunca entrará na terra prometida.

Os israelitas se rebelam mais uma vez (Nm 21), e Deus traz um julgamento estranho sobre eles: serpentes venenosas para picar o povo. Moisés mais uma vez intercede pelo povo, e Deus instrui que ele faça uma serpente de bronze e a erga em um poste, de modo que quem a contemplar seja curado da picada venenosa. É um símbolo estranho que fala sobre o desafio da fidelidade da aliança de Deus. Deus tem razão em trazer sua justiça sobre o mal e o pecado do povo, mas até mesmo seu juízo é transformado em uma fonte de vida para aqueles que o procuram em busca de cura.

A partir daqui, as pessoas se dirigem às planícies de Moabe (Nm 22-36). A primeira parte principal desta seção se concentra na figura estranha de Balaão. O rei de Moabe é perturbado por este enorme grupo de pessoas que viajam por sua terra, então ele contrata um feiticeiro chamado Balaão para amaldiçoar Israel. Mas Balaão descobre que ele não pode amaldiçoá-los. Ele tenta por três vezes, mas só consegue proferir bênçãos sobre Israel. Balaão não consegue amaldiçoar Israel e, em seguida, Deus lhe dá uma visão de um futuro rei israelita que um dia trará a justiça de Deus às nações, lembrando a promessa de Jacó a Judá em Gênesis 49.

Agora vale a pena pararmos e refletir sobre como a narrativa do livro tem se desenrolado até agora. As histórias de rebelião no deserto vêm se acumulando e piorando cada vez mais. Embora Deus tenha trazido um ato de justiça parcial e momentâneo sobre Israel, ele também mostrou misericórdia providenciando alimento e água ao longo do caminho. A seguir, a narrativa de Balaão revela a graça de Deus de maneira clara e marcante. Israel está no acampamento murmurando e se rebelando, enquanto nas colinas Deus os protege e até os abençoa.

É este contraste entre a rebelião de Israel e a fidelidade de Deus no deserto que tornam essas histórias tão importantes para as gerações posteriores de Israel. As histórias do deserto foram recontadas várias vezes pelos profetas bíblicos posteriores (Is 63; Ez 20; Jr 7), poetas (Sl 78; Sl 95; Sl 106) e pelos apóstolos no Novo Testamento (1Co 10; Hb 3-4). Eles viam essas histórias como um alerta. Deus será eternamente fiel às promessas de sua aliança, mas ainda assim deixará que o povo se revolte e enfrente as consequências de suas escolhas.

O restante do livro de Números se concentra nos filhos da geração do deserto que estão se preparando para herdar a terra prometida. Depois de realizado outro censo dessa nova geração (Nm 26), eles vencem várias batalhas contra povos nas fronteiras da terra prometida. Essas batalhas permitem que algumas tribos de Israel se estabeleçam no lado distante da terra (Nm 34-36).

O livro termina com a nova geração de Israel preparada para entrar na terra. Um momento de descanso permite que Moisés pronuncie suas últimas palavras de sabedoria e advertência, que é o que encontramos no próximo livro da Torá.

Perguntas frequentes

Confira algumas das perguntas mais comuns feitas na internet sobre este livro bíblico.