Naum
Sobre

Um aspecto importante da antiga organização da Bíblia hebraica chamada TaNaK é que as doze obras proféticas que vão de Oseias a Malaquias, às vezes chamadas de Profetas Menores, foram elaboradas como um único livro chamado Os Doze. Naum é o sétimo livro dos Doze.
Naum é uma coletânea de poemas que anunciam a queda de um dos piores opressores de Israel, o antigo império da Assíria e sua capital, Nínive. Os assírios surgiram como um dos primeiros grandes impérios do mundo, e sua expansão em Israel resultou na destruição total e no exílio do reino do norte e de suas tribos (2Rs 17). Seus exércitos eram violentos e destrutivos em uma escala que o mundo nunca havia visto antes. Israel e seus vizinhos aguardavam a queda da Assíria, que acabou acontecendo no ano 612 AEC, quando os babilônios se levantaram e iniciaram uma rebelião que alcançou Nínive e derrotou o império assírio.
O capítulo 2 descreve a queda de Nínive em uma poesia vívida, enquanto o capítulo 3 explora a queda da Assíria como um todo. Mas este livro não é apenas um discurso furioso contra os inimigos de Israel. O capítulo introdutório mostra que há muito mais coisas acontecendo nesta breve obra profética.
Naum 1: Nínive como um símbolo de todos os impérios arrogantes
O livro de Naum abre com um poema acróstico incompleto, que começa retratando uma aparição poderosa da glória de Deus, de modo semelhante ao início do livro anterior, Miqueias, e ao desfecho do livro seguinte, Habacuque. Deus, o Criador todo-poderoso, vem para confrontar as nações e trazer sua justiça sobre o mal que elas praticam.
O poema começa citando a famosa declaração da autodescrição de Deus depois do incidente do bezerro de ouro em Êxodo 34:6-7. "O Senhor é paciente e grande em poder, e ele não deixa de punir o culpado." O restante do poema alterna contrastes entre o destino das nações arrogantes e violentas e o destino do remanescente fiel de Deus. Embora Deus tenha destruído todos os impérios arrogantes, ele também providenciará refúgio para aqueles que se humilham diante dele.

Isso é interessante porque parecia que este livro falaria apenas da Assíria. Se olharmos mais de perto, descobrimos que, no texto hebraico de Naum, Nínive nunca é mencionada por nome no capítulo 1. Além disso, ao descrever a queda da Assíria, Naum usa a mesma linguagem que Isaías usou para descrever a queda da Babilônia, que aconteceu muito mais tarde (Na 1:8-9; Na 1:14; Is 10; Is 14). Não apenas isso, mas Naum também descreve a queda dos ímpios como "boas novas para o remanescente" do povo de Deus, uma alusão direta às boas novas de Isaías sobre a queda da Babilônia (Na 1:15; Is 52:7).
Todos esses pequenos detalhes do capítulo 1 se juntam e formam uma mensagem fundamental: para Naum, a queda de Nínive é um exemplo de como Deus está atuando na história. Ele não permitirá que impérios arrogantes ou violentos durem para sempre. Isso é muito semelhante à mensagem do livro de Daniel. A Assíria se insere em uma longa sequência de impérios violentos ao longo da história, e o destino de Nínive serve como um memorial do compromisso de Deus de destruir os arrogantes em todas as épocas.
Naum 2-3: a queda da Assíria
Com essa perspectiva em mente, o livro prossegue ao retornar sua atenção para a Assíria. O capítulo 2 descreve a batalha em Nínive e a queda da cidade em estágios progressivos. Vemos a linha de frente dos soldados babilônios, a investida das carruagens, o caos nas muralhas da cidade à medida que ela é invadida, o massacre do povo de Nínive e, por fim, o saque da cidade. O capítulo 3 descreve as consequências da queda da cidade para o império como um todo. Naum anuncia um período de aflição sobre a cidade, construída pelos reis com o sangue dos inocentes, uma imagem de como a injustiça foi incorporada ao próprio sistema que tornou a nação bem-sucedida. A violência deles semeou as sementes de sua própria destruição, e assim a Assíria cairá diante da Babilônia.
O livro termina com uma provocação contra o rei derrotado da Assíria, que é atingido por uma ferida fatal. Ninguém de nenhuma das nações que ele oprimiu oferece ajuda. Em vez disso, eles comemoram sua queda, e o livro se encerra retratando essa celebração macabra.

Naum é um livro sombrio, mas é importante ver como sua mensagem aborda os ciclos trágicos e perpétuos de violência, opressão e sofrimento humano. A história humana está repleta de tribos e nações que se exaltam e usam a violência para obter o que querem, sempre resultando na perda de inúmeros inocentes. O livro de Naum, usando a Assíria e a Babilônia como exemplos, afirma que Deus se entristece e se importa com a morte dos inocentes, e que sua bondade e justiça o levam a orquestrar a queda das nações opressoras. O juízo de Deus sobre o mal é uma boa notícia, a menos que, é claro, você seja a Assíria.
Isso nos remete à conclusão daquele primeiro poema: "O Senhor é bom, um refúgio no dia da angústia. Ele cuida daqueles que se refugiam nele" (Na 1:7). O livro convida todos os leitores a se humilharem diante da justiça de Deus e confiar que, em seu tempo, ele confrontará os opressores de todas as épocas e lugares.

