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Amós

Sobre

Amós
7:13
Panoramas do Antigo Testamento
Amós

Um aspecto importante da antiga organização da Bíblia hebraica chamada TaNaK é que as doze obras proféticas que vão de Oseias a Malaquias, às vezes chamadas de Profetas Menores, foram elaboradas como um único livro chamado Os Doze. Amós é o terceiro livro dos Doze.

Amós era um pastor e agricultor de figueiras (Am 7:14) que vivia perto da fronteira entre o norte de Israel e o sul de Judá. O norte havia conquistado sua independência cerca de 150 anos antes (1Rs 12) e atualmente estava sendo governado por Jeroboão II, um líder militar bem-sucedido. Ele venceu batalhas e conquistou novos territórios para Israel, o que gerou muita riqueza. Mas, aos olhos dos profetas, ele era um dos piores reis de todos os tempos. A riqueza de Jeroboão II levou à apatia social e ele permitiu a adoração de ídolos dos deuses cananeus, o que levou à injustiça e à negligência dos pobres.

Chegou a um ponto em que Amós não aguentava mais. Ele sentiu o chamado de Deus para subir ao norte, até Betel, uma cidade importante com um grande templo, para começar a anunciar a palavra de Deus ao povo. Este livro é uma coletânea de seus sermões, poemas e visões proferidos ao longo dos anos. Eles foram posteriormente compilados para dar ao povo de Deus uma compreensão de sua mensagem divina ao reino do Norte, uma mensagem que ainda precisamos ouvir hoje.

O livro tem uma estrutura bastante clara. Os capítulos 1-2 são uma série de mensagens a Israel e às outras nações. Os capítulos 3-6 são uma coletânea de poemas que expressam a mensagem de Amós ao povo de Israel e seus líderes. Os capítulos 7–9 contêm uma série de visões que Amós teve e que retratam visualmente o juízo iminente de Deus sobre Israel.

Amós 1-2: acusações contra as nações e Israel

O livro de Amós começa com uma série de poemas curtos que acusam todos os vizinhos de Israel de violência e injustiça, o que parece estranho, considerando que a primeira frase do livro afirma que Amós se dirige a Israel. Quando Amós cita todas essas nações vizinhas — Damasco, Gaza, Tiro, Edom, Amom, Moabe e Judá —, é possível observar em um mapa que ele está desenhando um círculo com Israel no meio, como se fosse um alvo no centro da mira. Quando ele finalmente chega a Israel, Amós lança uma acusação poética três vezes mais longa e intensa do que qualquer outra. Ele acusa os ricos de Israel de ignorarem os pobres e permitirem graves injustiças, especificamente ao deixá-los serem vendidos como escravos por dívidas e negarem-lhes representação legal. Amós então pergunta: será que esta é a mesma família que sofreu injustiça e escravidão no Egito, e que Deus graciosamente resgatou da opressão? É o fim, diz Amós. Deus não vai mais tolerar isso.

Amós 3-6: expondo a hipocrisia e a injustiça de Israel

O início da próxima seção explica o motivo. Deus diz: "Eu escolhi você, Israel, entre todas as famílias da terra..." (Am 3:2). É uma alusão a Gênesis 12, quando Deus chamou a família de Abraão para se tornar a bênção de Deus para todas as nações. Deus prossegue dizendo: "[...] é por isso que os punirei por todos os seus pecados". Israel tinha um grande chamado que veio com grande responsabilidade, e por isso seu pecado e rebelião trarão grandes consequências.

A seção seguinte reúne vários poemas de Amós, nos quais é possível identificar a repetição de alguns temas importantes. Em primeiro lugar, ele está constantemente denunciando a hipocrisia religiosa dos ricos e líderes religiosos de Israel. Ele descreve como eles participam fielmente das reuniões religiosas e oferecem sacrifícios a Deus, enquanto negligenciam os pobres e ignoram a injustiça.

Amós diz que tudo isso é uma farsa e que Deus detesta sua adoração, porque ela está completamente desconectada de como tratam os outros. Deus diz que um relacionamento verdadeiro com ele transforma a pessoa e a forma como ela trata os outros. O chamado de Amós à verdadeira adoração é "corra a justiça como um rio, a justiça como um ribeiro infindável" (Am 5:24). Essas duas palavras são importantes para Amós. Tsedaqah, ou "retidão", refere-se a um padrão de relacionamento justo e equitativo entre as pessoas, independentemente de suas diferenças sociais. E mishpat, ou "justiça", refere-se a ações concretas que alguém adota para corrigir a injustiça e criar a retidão. Ambos os valores devem permear a vida do povo de Deus, assim como um rio caudaloso preenche o leito seco.

O próximo tema explorado são as constantes acusações de Amós à idolatria de Israel, que estão conectadas aos temas anteriores sobre adoração e justiça. Você se lembra de quando o reino do norte se separou do sul de Judá e seu rei construiu dois novos templos para rivalizar com o de Salomão em Jerusalém, colocando um bezerro de ouro em cada um deles (1Rs 12)? Desde então, Israel só acumulou mais ídolos, representando os deuses do sexo, do clima e da guerra. Na visão dos profetas, a adoração desses deuses sempre leva à injustiça. Esses deuses simplesmente não exigem o mesmo nível de justiça e retidão que o Deus de Israel, e na verdade eles mesmos eram imorais. O Deus de Israel, por outro lado, pode dizer em um determinado momento: "Busquem-me, e terão vida" (Am 5:4) e mais tarde dizer: "Busquem o bem, e não o mal, para que vivam" (Am 5:14). A verdadeira adoração ao Deus Criador de Israel é sinônimo de praticar o bem e promover a generosidade e a justiça.

O último tema desses capítulos mostra que, devido à rejeição de Israel e de seu rei a Amós e aos outros profetas, Deus trará o Dia do Senhor, um ato de justiça grandioso e temível sobre Israel. Mais especificamente, ele prevê que uma nação poderosa virá para conquistar e destruir suas cidades e levá-las para o exílio. Sabemos que sua previsão se tornou realidade cerca de 40 anos depois. O império assírio interveio e fez exatamente o que Amós disse que faria (2Rs 17).

Amós 7-9: visões do Dia do Senhor

O livro termina com uma série de visões de Amós, que são representações simbólicas do iminente Dia do Senhor. Ele vê Israel devastado por um enxame de gafanhotos e um fogo abrasador, sendo depois engolido como fruta excessivamente madura. Na visão final, Amós vê Deus atacando violentamente os pilares do grande templo do ídolo de Israel em Betel, e todo o edifício desmorona. Trata-se de uma imagem da justiça de Deus sobre os líderes e deuses de Israel: seu fim chegou.

No entanto, o parágrafo final de repente oferece um vislumbre de esperança. Usando a imagem de Israel como um edifício destruído, Deus diz que, das ruínas, ele um dia restaurará a casa de Davi. Em outras palavras, Deus trará um futuro rei messiânico da linhagem de Davi e reconstruirá a família de seu povo, o que, surpreendentemente, inclui as outras nações. Toda a devastação causada pelo pecado de Israel e pelo juízo de Deus será revertida.

Este parágrafo final é muito importante. É o único sinal de esperança após o juízo e nos ajuda a compreender como este livro explora a relação entre a justiça e a misericórdia de Deus. Embora Deus deva confrontar e julgar o mal entre Israel e as nações, seus propósitos a longo prazo são de restauração e de criar uma nova família.

Através das palavras de Amós, ainda podemos ouvir o chamado para aprender com a hipocrisia de Israel e as consequências desastrosas de seus pecados. É um chamado para aceitar a verdadeira adoração a Deus, que deve sempre levar à justiça, à retidão e ao amor ao próximo. É disso que se trata o livro de Amós.