As cinco alianças principais que Deus faz com os humanos na Bíblia

Parcerias entre Deus e as pessoas

Por Whitney Woollard
4 de abril de 2018
8 min de leitura
As alianças
5:46
Temas bíblicos
As alianças

Não falamos muito sobre alianças hoje, mas deveríamos. As alianças são um dos temas mais importantes da Bíblia, elas são a chave para o plano redentor de Deus para restaurar a humanidade ao seu chamado divino. Começando em Gênesis, Deus entra em uma parceria formal (ou seja, aliança) após outra com vários humanos para resgatar seu mundo. Essas parcerias divino-humanas conduzem a narrativa até que ela atinja seu clímax em Jesus. Contar a história de Deus redimindo a humanidade por meio de Jesus é contar toda a história do relacionamento de aliança de Deus com os humanos.

Então, o que é uma aliança? E como a história da aliança da Bíblia começa?

O que é uma aliança?

Uma aliança é um relacionamento entre dois parceiros que fazem promessas vinculativas um ao outro e trabalham juntos para alcançar um objetivo comum. Elas muitas vezes são acompanhadas por juramentos, sinais e cerimônias. As alianças definem obrigações e compromissos, mas são diferentes de um contrato porque são relacionais e pessoais. Pense em um casamento: marido e esposa escolhem entrar em um relacionamento formal, se vinculando um ao outro com fidelidade e devoção para a vida toda. Eles então trabalham como parceiros para alcançar um objetivo comum, como construir uma vida ou criar filhos juntos.

Relacionamentos de aliança são encontrados em toda a Bíblia. Há alianças pessoais entre dois indivíduos (por exemplo, Davi e Jônatas em 1 Samuel 23), alianças políticas entre dois reis ou nações (por exemplo, o Rei Salomão e o Rei Hirão em 1 Reis 5), alianças legais com uma nação (como as leis sobre a libertação de escravos hebreus) e assim por diante. Entrar em alianças era uma parte importante do que significava viver no antigo Oriente Próximo. Assim, Deus se associou aos humanos por meio de uma estrutura que eles já entendiam.

O início da história da aliança

A história da aliança começou quando Deus criou os humanos à sua imagem para serem parceiros com ele na disseminação da bondade pelo mundo. A palavra "aliança" (Hb berit) não é usada explicitamente em Gênesis 1, mas os detalhes do relacionamento são semelhantes a alianças posteriores no texto.

Deus convida Adão e Eva a serem reis-sacerdotes e a representar seu governo generoso na Terra. Eles poderiam desfrutar e reproduzir as bênçãos da vida eterna, desde que continuassem a confiar e a ser parceiros dele. Mas, à medida que Deus estabelece os termos de seu relacionamento, ele os adverte a não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque isso traria a maldição da morte sobre a humanidade.

E em seu primeiro teste de fidelidade à aliança, os humanos falharam. Eles comeram da árvore, quebrando o relacionamento humano-divino e mergulhando a humanidade na corrupção e na morte. Ainda estaríamos presos aos destroços se Deus nunca interviesse. Mas o restante da Bíblia é sobre como Deus está consertando essa parceria quebrada com os humanos.

Um guia rápido para cinco alianças importantes

Não há consenso sobre o número exato de alianças entre Deus e a humanidade. No entanto, há cinco alianças fundamentais que Deus faz com Noé, Abraão, Moisés e Davi, antes de estabelecer a nova aliança por meio de Jesus.

Aliança Noaica

Depois do exílio de Adão e Eva do Éden, a narrativa bíblica parece sombria. Em Gênesis 4, Caim fica do lado da serpente, matando seu irmão a sangue frio, e um homem chamado Lameque se gaba de seus comportamentos assassinos e chauvinistas. Gênesis 5 repete o refrão "e ele morreu" oito vezes, revelando como a morte reinou sobre a humanidade. Depois, há essa história estranha em Gênesis 6, que deve mostrar o rápido avanço do mal. De modo que, quando chegamos à história de Noé, o pecado já envolve o mundo inteiro, enviando-o de volta ao caos pré-criação. Em resposta, Deus envia um dilúvio, abrindo caminho para uma criação restaurada que começará com Noé e sua família.

Deus entra em um relacionamento formal com Noé e todas as criaturas vivas, prometendo que, apesar da corrupção da humanidade, ele nunca mais inundará a terra (Gn 8:20-9:17). Em vez disso, ele preservará o mundo enquanto trabalha para manter sua promessa de resgatar a humanidade e a criação por meio da "descendência da mulher" (Gn 3:15). Deus então convida os humanos a se associarem a ele para preencher e governar seu mundo. A aliança de Deus com Noé é incondicional, e sua promessa é acompanhada por um sinal de sua fidelidade, o arco-íris, para lembrar as gerações futuras dessa aliança (Gn 9:12-17).

Aliança Abraâmica

Depois que Deus faz uma aliança com Noé, o mal continua a arruinar o mundo. Gênesis 9-11 traça a espiral descendente da humanidade, e nos deixa a pergunta: como Deus restaurará seu mundo bom? O plano de resgate de Deus continua, e ele chama Abraão para um relacionamento de aliança.

Essa parceria redentora entre Deus e Abraão é desenvolvida progressivamente em Gênesis 12; Gênesis 15 e 17. Ele promete a Abraão uma enorme família que herdará um pedaço de terra em Canaã e trará bênção universal a toda a humanidade.

Semelhante à aliança de Noé, essa aliança também é acompanhada por um sinal externo, um lembrete a Abraão e seus ancestrais. Deus ordena que os homens sejam circuncidados (Gn 17:9-14), um símbolo que diferencia Abraão e sua família e mostra que sua fertilidade e futuro estão nas mãos de Deus.

Deus diz a Abraão para deixar sua terra e seguir onde quer que ele leve, treinar sua família para fazer o que é certo e justo e praticar a circuncisão em todas as gerações. Esta aliança é condicional e incondicional. Deus e Abraão têm um papel a desempenhar, mas, em última análise, Deus cumprirá sua promessa de dar a Abraão uma família que herdará a terra e abençoará o mundo.

Aliança Mosaica

O Êxodo começa com a descendência de Abraão se multiplicando rapidamente no Egito, o que ameaça o ego do novo Faraó. Ele escraviza o povo de Deus, e eles clamam a Deus para resgatá-los. Deus os ouve, enviando Moisés para ser seu instrumento de poder divino para levar o povo para fora do Egito e para a terra que Deus prometeu a Abraão.

Depois de uma fuga angustiante, o povo chega ao pé do Monte Sinai, onde Deus aparece para rever as promessas que ele fez a Abraão. Agindo como representante de Israel, Moisés sobe à montanha para ouvir os termos da aliança de Deus com o povo. Deus promete transformar Israel em um reino santo de sacerdotes que espalharão sua bênção e glória a todas as nações.

Deus instruiu Israel a obedecer a todas as leis dadas no Monte Sinai, prometendo trazer bênçãos se seguissem seus mandamentos e maldições se os ignorassem (veja Deut. 28). A lealdade de Israel a Yahweh se refletirá na maneira como eles vivem, guardando os mandamentos e, principalmente, observando o descanso semanal no Sábado (Êx 31:12-18).

Aliança Davídica

O povo de Deus entra em Canaã (a terra prometida) e acaba exigindo um rei, alimentando seu desejo de ser como as outras nações. (Já estamos vendo o povo perdendo de vista sua aliança no Monte Sinai.) Saul é ungido como rei de Israel, mas ele não obedece a Deus e é rejeitado. Deus então escolhe Davi como rei sobre Israel. Davi se torna um líder de sucesso, vencendo os inimigos de Israel e restaurando a ordem, e quer construir um templo para que Deus habite com seu povo novamente. Deus responde a esse desejo fazendo uma aliança com Davi, prometendo engrandecer seu nome e levantar um descendente da linhagem de Davi, cujo trono e reino durarão para sempre (2 Sam. 7; Sl 72; Sl 89; Sl. 132).

Davi e seus descendentes devem permanecer fiéis a Deus, seguindo as leis da aliança. No entanto, apesar dos fracassos de Davi e de seus filhos, Deus cumpre sua promessa de fornecer um descendente fiel de Davi para reinar.

Todas essas alianças se baseiam tematicamente umas nas outras. Depois da aliança de Deus com Davi, nós, como leitores, somos deixados à espera do grande libertador, o Messias da linhagem de Davi, que consertará o relacionamento fraturado que começou no jardim.

A nova aliança

Durante gerações, Israel ignorou os termos de sua aliança com Yahweh, violando mandamentos e vivendo de acordo com suas próprias definições de bem e mal. Em meio a rebelião e exílio, os profetas hebreus falaram de uma nova aliança, dizendo que Deus um dia cumpriria todas as suas promessas, restaurando seu relacionamento com seu povo e abençoando as nações por meio deles (Jr. 31:31-34; Ez. 36:22-32).

Esta nova aliança deve ser eterna. Deus escreverá sua lei nos corações de seu povo, trará o perdão total dos pecados e levantará um rei fiel da linhagem de Davi que restaurará tudo o que foi quebrado.

A expectativa dessa aliança leva a história para as páginas do Novo Testamento, onde somos apresentados a Jesus (Mt. 26:26-29; Lucas 22:19-22).

Você percebe como as alianças se complementam progressivamente, formando um enredo redentor completo? Deus preservou o mundo por meio de Noé, iniciou a redenção por meio de Abraão, estabeleceu a nação de Israel por meio de Moisés, prometeu um rei-pastor eterno por meio de Davi e depois cumpriu todas as suas alianças por meio de Jesus. A cada aliança, as promessas e os planos de Deus para salvar o mundo por meio da semente da mulher se tornam cada vez mais claros, até que finalmente vemos que a redenção só pode vir por meio do Rei Jesus.

Jesus é o Clímax Aliançal

Os autores do Novo Testamento apresentam Jesus como o descendente de Abraão que confiou em Yahweh até a morte e se tornou uma bênção para todas as nações. Ele é o maior Moisés, que nos tira da escravidão, e o israelita obediente que segue perfeitamente as leis de Deus. Ele é o filho real de Davi que inaugurou o Reino de Deus em sua vida, morte e ressurreição, e que agora se senta à direita de Deus, reinando para sempre como o único verdadeiro Rei.

Jesus foi perfeitamente bem-sucedido em todos os pontos em que a humanidade falhou. Ele é o fiador e o mediador da nova e melhor aliança (Hb. 7:22; Hb. 9:15). Agora, pessoas de todas as nações, tribos e línguas que confiam em Jesus podem se tornar parte da família da aliança de Deus.

Na nova aliança, recebemos o perdão dos pecados e o Espírito capacitador de Deus que nos ajuda a viver uma vida cheia de amor abnegado. Por causa de Jesus, podemos viver de forma justa e ser parceiros dele à medida que ele renova o mundo.